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Pauleta marcou mais golos do que Eusébio ao serviço da Selecção Nacional

Nunca foi jogador dos grandes clubes portugueses mas o nome – Pauleta – foi imortalizado com a excelente carreira que fez no estrangeiro e pelos golos que marcou, enquanto elemento da Selecção Nacional, batendo o record alcançado por Eusébio, o pantera negra. Ao VerPortugal, o atacante açoreano conta as qualidades necessárias para se ser um craque do futebol. Revela ainda os motivos que o levaram, após encostar o equipamento com o número 9 do Paris Saint-Germain e da Selecção, a criar uma fundação e uma escola de futebol. Pedro Miguel Carreiro Resendes (Pauleta), também elemento da Federação Portuguesa de Futebol, dá nota do quanto é importante educar para a solidariedade e para a prática do desporto.

Lembra-se da primeira vez que pegou numa bola?

(sorriso) Eh pá… eu era bastante pequeno! Lembro-me que com quatro ou cinco anos já brincava com uma bola no quintal da minha mãe. Mas lembrar-me do primeiro dia, mesmo do primeiro dia, não me lembro. (sorriso)

E da primeira vez que entrou num relvado a sério?

Não foi num relvado, era pelado. Não havia relvado naquela altura. Lembro-me que isso foi quando jogava, em infantil, na comunidade de jovens de S. Pedro, Açores.

O que é que sentiu quando marcou o primeiro golo?

Uma sensação de felicidade e de alegria. Qualquer jogador de futebol que marque um golo, mesmo que seja um defesa ou até um guarda-redes, é uma sensação diferente de todas as outras que um atleta possa ter. Um golo é motivo de festa e de alegria. Todos querem fazer golos.

Porquê a posição de atacante?

Para fazer golos. A minha paixão era fazer golos. Desde que me conheço no mundo do futebol que tinha o objectivo de fazê-los.

Não fez carreira nos grandes clubes portugueses. Mas mesmo assim representou por diversas vezes a Selecção Portuguesa e destacou-se. Conseguiu mesmo, em termos de golos, marcar mais do que o Eusébio. Qual é a sensação?

É uma sensação enorme bater o record do Eusébio. Só o nome Eusébio já diz tudo. Foi o momento alto na minha carreira. A determinada altura da minha carreira, bater esse record passou a ser um objectivo. Representei a Selecção durante 10 anos, foram 88 jogos. Sou o quarto jogador mais internacional da Federação Portuguesa de Futebol. Fui chamado à Selecção com 24 ou 25 anos. Ser jogador da Selecção foi um dos momentos marcantes da minha carreira.

O antigo treinador do “Paris Saint Germain”, Vahid Halihodzic, disse que Pauleta era um lutador muito forte e completamente imprevisível. Que comentário lhe merece?

Eu era uma pessoa que lutava pelos objectivos pessoais e colectivos. Era uma pessoa que lutava jogo após jogo, dia após dia, e nunca me acomodei. Se calhar foi a grande virtude que tive ao longo da minha carreira e se consegui fazer muita coisa boa foi, com toda a certeza, por causa disso. Cada dia para mim era uma luta.

Como era o relacionamento com os colegas. Sentia-se acarinhado pelos eles?

Sim, sentia-me acarinhado por eles. O relacionamento era excelente. Sempre me dei bem com todos os jogadores. Na minha carreira, se calhar contam-se pelos dedos, os jogadores com quem tive algum problema. Quase de certeza que não existe porque sempre me dei bem com todos.

Qual o clube do coração?

A Selecção Nacional. A partir de determinada altura, quando passei a ser profissional não tive nenhum clube preferido. Sinceramente não tenho. Às vezes as pessoas fazem-me essa pergunta porque, em Portugal, o hábito é ser-se do Porto, Benfica ou Sporting. Mas eu não tenho clube do coração. Tenho sim a Selecção Nacional, talvez por nunca ter jogado num grande de Portugal.

Que comentário faz ao facto de no futebol português haver inúmeros estrangeiros?

O problema não é a escassez de talentos nacionais. O problema é europeu. Todos se queixam do mesmo. É um problema de formação e num país que tem menor capacidade financeira, como é o caso de Portugal, nota-se mais. É mais barato trazer jogadores estrangeiros do que dar mais oportunidades a portugueses. Os clubes continuam a cometer os mesmos erros e, portanto, essa é a razão pela qual cada vez menos portugueses jogam em clubes nacionais. Este é um dos assuntos sobre o qual a Federação Portuguesa de Futebol se tem debruçado.

O Pauleta criou uma escola de futebol e uma fundação. Com que objectivo?

O objectivo da criação da escola não foi para formar jogadores. Contudo, se o conseguirmos melhor. O objectivo primordial foi o de criar um espaço onde os jovens possam ter um local onde praticar desporto. Já a fundação foi criada para colaborar com instituições de solidariedade. É isso que tem feito ao longo dos anos. É também uma forma de fazer ver aos miúdos, que temos na nossa escola, que devemos ser solidários e temos de ajudar uns aos outros. Foi com essa intenção que criei a minha escola de futebol. Se no futuro alguns se tornarem jogadores de futebol tanto melhor.

A escola de futebol tem protocolos com grandes clubes?

Tem com Dragon Force (Futebol Clube do Porto) e com o Paris Saint Germain.

O que significa o número 9 para si?

Significa o goleador da equipa. Significa marcar golos, é o avançado que faz golos. É o número de que tanto gostei e de que gosto.

Sente que é ídolo para muitas crianças e jovens que também jogam futebol? O que aconselha a quem quer ser futebolista? Que qualidades deve trabalhar?

Primeiro tem de ser humilde. Tem de trabalhar e lutar todos os dias. Tem de saber que a carreira de jogador de futebol é muito curta e há que aproveitar todos os momentos e, portanto, se não estiver a 100 por cento todos os dias, todas as semanas rapidamente é-se ultrapassado pelos outros. Por mais qualidades que tenhas, a menos que sejas um talento do outro mundo e normalmente esses são os grandes exemplos do futebol, o trabalho, a dedicação, a vontade de querer a cada dia ser melhor é o essencial num jogador. Porque por mais talento que se tenha se não for pressionado, se não tiver dedicação rapidamente fica para trás. A prova disso são os muitos jogadores, principalmente os internacionais, que nunca chegaram a fazer carreira nem a subir à primeira divisão.

O que é que faz nos tempos livres?

Passo mais tempo com a minha família. Estou ligado à Federação Portuguesa de Futebol e ao Turismo dos Açores. Mas sempre que posso estou com a família.

Qual o seu conceito de felicidade?

Estarmos de bem com as coisas de que gostamos.

Onde tem guardadas as suas chuteiras?

Na minha casa, numa sala de troféus.

Teve algum prémio que adorou receber?

Sim o de melhor jogador de França duas vezes.

Como é visto Pauleta nos Açores?

Tratam-me com um carinho muito especial. Não só nos Açores mas em todo o Portugal e também no estrangeiro. Sinto-me acarinhado não só pelas coisas que fiz mas pela minha maneira de ser e pela forma como procedi durante a carreira de jogador.

Qual é o seu herói?

Não tenho heróis, mas sim pessoas que admiro bastante. No mundo do futebol admiro imenso Luís Figo que é uma pessoa por quem tenho carinho especial. Somos muito amigos e também convivi muito com ele no mundo do futebol.

O que fica na história

Internacionalizações "A" : 88 (estreia a 20/08/97, em Setúbal, jogando 13 minutos frente à Arménia) Internacionalizações "Esperanças" : 1 Internacionalizações Juvenis: 4 Golos na Selecção "A" : 47 (RECORDE) Jogos nas taças europeias: 39 (6 na Taça dos Campeões e 33 na Taça UEFA) Golos nas taças europeias: 19 (1 na Taça dos Campeões e 18 na Taça UEFA) Melhor marcador II Liga Espanha: 1996/97 (19 golos - Salamanca) Campeão Espanha: 1999/2000 (Corunha) Supertaça Espanha: 1999/2000 (Corunha) Taça de França: 2003/2004 e 2005/2006 (Paris St. Germain) Taça Liga Francesa: 2001/2002 (Bordéus) Melhor marcador campeonato França: 2001/2002 (22 golos), 2005/2006 (21) 2006/2007 (15) Segundo melhor marcador campeonato França: 2000/2001 (20 golos), 2002/2003 (23) Terceiro melhor marcador campeonato França: 2003/04 (18 golos), 2004/2005 (14) Melhor jogador do ano em França: 2001/2002 e 2002/2003 Vice-campeão da Europa: 2004, em Portugal Terceiro no campeonato da Europa: 2000, na Bélgica Presenças no campeonato do mundo: 2002 (Coreia Sul/Japão) e 2006 (4º na Alemanha) Melhor marcador da história do Paris Saint Germain – 100 GOLOS Mais informações em: www.escoladefutebolpauleta.com

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