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Doce de Cogumelos: Bioterris lança produto único e inovador no mercado

São três jovens amigos: Hugo Trindade, licenciado em Marketing e Publicidade; Cristofe Pedrinho,Técnico de Peritagens e Filipe Balula, Engenheiro Civil que decidiram investir na produção de cogumelos em estufa na região de Viseu. Criaram a Bioterris em Janeiro de 2013 para rentabilizar e dinamizar os terrenos das famílias e lançaram-se à aventura de produzir o shiitake, um cogumelo comestível nativo do leste da Ásia. Abertos a desafios e prontos a encontrarem novas soluções e ideias para tornarem os seus projectos mais rentáveis nasce a ideia de criar o Doce de Cogumelo. O produto inovador promete fazer as delícias dos apreciadores de cogumelos. O VerPortugal esteve à conversa com Hugo Trindade, que nos explicou todo o processo de produção do cogumelo, a excelência da qualidade do produto e a garantia vontade de continuar a inovar na área. A estória de três amigos que não têm “medo da terra, nem de sujar as mãos”.

Como surgiu a ideia de criar a Bioterris? Já se conheciam antes? Estavam ligados à agricultura?

A ideia surgiu desde o primeiro momento em que nos sentamos à volta de uma mesa a pensar no que deveríamos fazer para rentabilizar e dinamizar os terrenos que eram das famílias e que poderiam ser uma solução para a nossa situação de vida, que em alguns dos casos havia mudado há bem pouco tempo. O conhecimento já vinha desde tenra idade pois estudamos juntos no secundário, embora depois tenhamos seguimos vidas um pouco diferentes, mas a amizade manteve-se. A agricultura esteve sempre presente nas nossas famílias como extra nas actividades de cada um. Contudo tivemos actividades profissionais que não tinham a ver directamente com a agricultura, mas gostamos de dizer que não temos medo da terra, nem de sujar as mãos.

O que faz exactamente a Bioterris?

A Bioterris tem como objectivo principal, criar condições para escoar os produtos dos três produtores e com as suas sinergias criar escala tanto nas compras como nas vendas de todos os elementos necessários à produção de cogumelos. Queremos e estamos a alargar para outros temas, com a elaboração de acções informativas e esclarecedoras para quem procura mais informação, pretendemos ajudar quem numa fase inicial procura informação e apenas encontra portas fechadas a tentar guardar os segredos mais profundos do negócio. Estamos a aprender com quem nos visita e a informar para que outros clarifiquem as suas dúvidas.

Porquê a aposta na produção de cogumelos? E que tipo de cogumelos produzem? Como é feita esta produção?

Somos um País que tem na sua gastronomia o hábito de consumir cogumelos, logo esse é um factor que por si só minimiza algum risco. Depois, porque pouco havia em Portugal no que toca a este tipo de exploração e o produto tem a possibilidade de ter um valor acrescentado face ao que actualmente entra no País e que acaba por chegar as pessoas. Temos clima e as condições mais que suficientes para produzir o mesmo cogumelo que andamos a importar do Japão e da China e que muitas das pessoas pensam que vem da Holanda ou mesmo da Espanha. O nosso cogumelo tem a possibilidade de facilmente ser de produção biológica, com elevada qualidade, pois cresce em terras em que o clima e a natureza ainda se encontram puras. Os primeiros a identificar estes pontos fortes são os nossos actuais concorrentes estrangeiros. O shiitake (Lentinula edodes) é um cogumelo comestível nativo do leste da Ásia. A espécie é hoje em dia o segundo cogumelo comestível mais consumido no mundo, incorporado desde há muito nos hábitos alimentares dos povos asiáticos. A produção de que falamos é feita em troncos de Carvalho, Castanho e ou Eucalipto (pois são para já as espécies que estão a ser mais usadas), cortados a metro e que são colocados em local adequado para que a madeira repouse e deixe a semente crescer no seu interior. Posteriormente é dado um choque térmico com água fria para que os cogumelos iniciem o seu caminho para a vida e posteriormente a colheita.

São cogumelos gourmet, são muito procurados para a alta cozinha?

Sim sem dúvida, são um produto que pode ser e é valorizado por que gosta de fazer bons pratos. A alta cozinha procura frescos e mesmo desidratados que atinge valores bem mais elevados.

Como é que surge a vontade de produzir o Doce de Cogumelos? É utilizada uma variedade diferente?

A ideia surge na necessidade de encontrarmos novas soluções e ideias para que os nossos projectos sejam ainda mais rentáveis, sem termos de depender da pouca boa vontade dos operadores que se encontram no mercado e que para além de não ajudarem nem apoiarem os novos investimentos nacionais, apenas se limitam a fechar portas e a tentar boicotar quem tem produção. O Doce é uma solução para uma falta de escoamento, ou mesmo para cogumelos que já estejam com dias a mais para serem embalados como frescos. Os cogumelos são os mesmo e o sabor é igual ou mesmo melhor, o mercado apenas dita que existe um tamanho que é o que tem nota 100 por cento.

A Bioterris produz, mas onde vai ser criado este doce?

O Doce está a ser elaborado por uma empresa que apenas faz esse tipo de trabalho. Estamos a falar de uma empresa devidamente licenciada e que prima pela qualidade dos seus produtos finais transformados. Chega de andar a fazer as coisas pela forma fácil e barata sem olhar a meios. Estamos preocupados com a qualidade dos nossos produtos e com os consumidores e o que neste momento já temos é um produto que se encontra devidamente regularizado para ser consumido. Temos já alguma produção e estamos a procurar parceiros que queiram ter um produto com qualidade e totalmente diferenciado no mercado nacional.

É um produto diferente. Fizeram algum estudo de mercado para perceberem como poderá ser aceite em Portugal?

Sim é um produto diferente e que pelo que pensamos único até ao momento pelo menos na forma como se apresenta ao consumidor. Doce será certamente doce sempre e em qualquer parte, contudo o doce de cogumelo da Bioterris é laminado e permite ao consumidor identificar o produto que se encontra dentro do frasco. Pensamos que pode ser considerado um chutney, que poderá acompanhar com diferentes pratos onde o agri-doce é procurado. Não fizemos estudos porque nesta fase existe um consumo elevado de tempo e dinheiro nos nossos projectos e não podemos fazer tudo, mas lamento que as novas ideias não sejam tido em conta a quando da apresentação dos projectos no PRODER por forma a valorizarem e a diferenciarem dos demais.

Quando será comercializado? Já estão a receber encomendas?

Estamos a encetar contactos para que seja o mais breve possível, contudo a primeira loja que já tem o nosso produto situa-se na Nazaré e pertence a empresa Fumeiros Terras do Demo, que tem sido um amigo e um bom aliado neste início de vida. Estamos com algo em carteira mas brevemente teremos mais informação.

Pensam em exportar?

Seria muito bom não só para nós como empresa, produtores e jovens, mas também para as nossas terras e para a economia local. Se tudo correr bem e se as parcerias aparecerem ficam todos a ganhar e as terras do interior, essas são as que mais ganham.

Projectos para o futuro?

Para já e com todo o trabalho que estamos a ter em desenvolver produtos fica pouco tempo para muito mais, mas felizmente temos neste momento mais dois produtos que vão poder estar no mercado em breve também e estão na mesma linha de pensamento do Doce, que é o de rentabilizar o mesmo produto diversificando. Mas isso vai ter de ficar para breve pois vai valer a pena.

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