Nova terapia para cancro do pâncreas em investigação no i3S

O estudo é a nível internacional e está em desenvolvimento já foi publicada na revista Nature. E os autores do estudo são Sónia Melo e Carolina Ruivo, do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto. O conteúdo do estudo tem a ver com uma nova terapia para o cancro do pâncreas.
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Uma notícia publicada no site da Universidade do Porto dá nota de que "a possibilidade de utilizar exossomas (nanovesículas produzidas por todas as células humanas) como veículos para tratamento de tumores do pâncreas. Trata-se de um novo método de tratamento que potencialmente pode dar aos pacientes mais tempo de vida e ser uma alternativa para a quimioterapia. Os ensaios clínicos de fase I em pacientes com cancro do pâncreas já foram aprovados e vão começar nos próximos meses".

Ao longo do texto pode ler-se que "os exossomas podem ser um meio privilegiado para tratamento dos tumores do pâncreas porque constituem um mecanismo natural de comunicação entre células humanas e demonstraram neste estudo pré-clínico uma grande eficiência". Segundo Sónia Melo, uma das investigadoras envolvidas, "os exossomas conseguem entregar inibidores (terapias) que têm como alvo específico uma das mutações mais comuns em pacientes com cancro do pâncreas no gene KRAS".

Ao longo do estudo as investigadoras puderam constatar que 70 por cento dos pacientes com cancro no pâncreas têm mutação no gene KRAS. Este é difícil de desligar "não por falta de ferramentas para o fazer, mas devido à localização deste órgão, não sendo fácil encontrar uma terapia que chegue efetivamente ao local", lê-se na notícia que também dá nota de que estes "exossomas modificados, que carregam a terapia no seu interior, contêm à superfície uma proteína que consegue torná-los invisíveis ao sistema imunitário, não sendo assim destruídos pelo mesmo".

Quando o cancro no pâncreas é detetado (raramente há sintomas e quando é detetado já é tarde) a esperança média de vida dos pacientes é de seis meses. As investigadoras explicam que "80 por cento dos casos já tem metástases noutros órgãos". Por outro lado, se for detetado atempadamente é possível curá-lo porque se trata de um órgão que pode ser removido de forma fácil.

Esta investigação começou em 2013 e, para além de Sónia Melo e Carolina Ruivo, do i3S , conta com a participação de sete investigadores do MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, em Houston (Estados Unidos). Os ensaios clínicos foram feitos, inicialmente, em ratos. Agora, os cientistas já estão a usar macacos.

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