Cancro do Pâncreas: Portugal arranca com investigação pioneira

A Europacolon Portugal, associação de apoio aos doentes com cancro digestivo, vai arrancar com um estudo e projeto pioneiro em Portugal dirigido aos médicos de Medicina Geral e Familiar com o objetivo de melhorar a prevenção e diagnóstico precoce do Cancro Pancreático em Portugal, através das Unidades de Cuidados de Saúde Primários desta que é a doença oncológica com a maior taxa de mortalidade.
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O projeto "Deteção precoce do Cancro Pancreático”, premiado internacionalmente nos 2017 ImpactPanc Awards, visa estudar a consciencialização e necessidades dos médicos de Medicina Geral e Familiar nesta doença, para uma sensibilização e encaminhamento mais eficaz dos doentes com possíveis sintomas de cancro do Pâncreas. Está cientificamente comprovado que os doentes diagnosticados a tempo de uma intervenção cirúrgica têm muito mais hipóteses de sobrevivência a cinco ou mais anos, o que contrasta com uma média de sobrevida de cerca de quatro meses com os doentes que têm um diagnóstico tardio, sem hipótese cirúrgica. Este primeiro estudo na área do conhecimento e implementação de ações em todo o território nacional será a primeira iniciativa do género, para melhorar o prognóstico desta doença oncológica que afeta 1300 novos doentes portugueses todos os anos.

O presidente da Europacolon Portugal, Vitor Neves, refere em comunicado enviado ao VerPortugal que "os médicos de medicina geral e familiar são o primeiro contacto a que os doentes recorrem quando sentem que têm algum sintoma fora do comum e que merece ser despistado. A verdade é que o cancro do pâncreas não é fácil de detetar. É uma doença silenciosa e com sintomas vagos, que pode levar a que o diagnóstico se estenda para além de um tempo que consideramos positivo e útil para o doente, e para que este possa ter mais e melhores opções de tratamento. Não foi ainda descoberto nenhum indicador que permita o rastreio do cancro do pâncreas, pelo que estas medidas junto dos médicos se tornam urgentes de implementar".

O novo projeto, será aplicado em Portugal durante o ano de 2018 e irá basear-se num estudo através do qual se irá compreender a informação sobre o cancro do Pâncreas e o processo de diagnóstico que os médicos de cuidados primários têm a nível nacional. Numa segunda fase e após análise destes resultados a Europacolon Portugal, com o apoio de várias entidades públicas na área da saúde, vai proceder a várias sessões de esclarecimento dirigido aos profissionais de saúde das Unidades de Saúde Familiares, para dar mais informação e disponibilizar ferramentas para que estes possam mais facilmente identificar os sinais do cancro do pâncreas.

"Numa terceira fase voltaremos a avaliar o conhecimento dos médicos após estes momentos de awareness, reavaliando a consciencialização existente para os pacientes em risco de desenvolver a doença, para percebermos a evolução ao longo do ano. Esta iniciativa irá permitir-nos compreender melhor as principais falhas existentes no Serviço Nacional de Saúde, especialmente nos cuidados primários e tentar disponibilizar algumas ferramentas para melhorar esta realidade em Portugal", completa o presidente da Europacolon Portugal.

Este projeto português é o primeiro premiado a nível mundial, seguido de outros quatro projetos oriundos dos Estados Unidos da América, da Grécia, do Reino Unido e Brasil.

Hoje a World Pancreatic Cancer Coalition, da qual a Europacolon é membro fundador, junta entidades de todo o mundo unidas em torno do cancro pancreático, através da campanha Exigir mais. Pelos Pacientes. Pela Sobrevivência., que pretende alertar para a importância de um diagnóstico precoce e inverter a tendência de elevada mortalidade desta doença.

Todos os dias, mais de 1000 pessoas em todo o mundo são diagnosticadas com cancro do pâncreas. Entre elas, cerca de 985 morrerão desta doença. Embora as taxas de mortalidade estejam a diminuir para muitos outros cancros, estão a aumentar para o cancro do pâncreas. O cancro do pâncreas é, em quase todos os países, o único cancro grave com uma taxa de sobrevivência inferior a 10 por cento, cerca de cinco anos (dois a nove por cento). O financiamento na investigação do Cancro Pancreático mantêm-se ao mesmo nível nos últimos 40 anos.

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