Ervas marinhas captam mais nutrientes do que algas na Ria Formosa

Numa competição pelos nutrientes disponíveis em ecossistemas costeiros, como é o caso da Ria Formosa, os investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) concluíram que as ervas marinhas ganham às algas.
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Cientistas do CCMAR demonstram pela primeira vez como é que as ervas marinhas podem ser mais competitivas do que as algas na captação de nutrientes, o que explica a sua dominância em ecossistemas costeiros como a Ria Formosa.

Muito embora as algas sejam mais eficientes do que as ervas marinhas, na obtenção de nutrientes azotados (amónia) da água, são as algas que predominam em ambientes costeiros onde a disponibilidade de nutrientes é limitada e muitas vezes apenas disponível em pulsos. Esta observação levou os cientistas do CCMAR a investigar a competição por nutrientes entre estes produtores primários.

O estudo, publicado recentemente na revista Scientific Reports, demonstrou que as ervas marinhas são, em geral, não só mais eficientes do que as algas na aquisição de pulsos de nutrientes, mas também conseguem influenciar o desempenho destas quando estão na sua presença.

A capacidade demonstrada pelas ervas marinhas para absorver os nutrientes de forma rápida assim que estes se tornam disponíveis no meio, representa uma importante estratégia que favorece a sua dominância em ambientes costeiros com concentrações limitadas de nutrientes.

Os investigadores implementaram experiências de aquisição de azoto inorgânico com espécies de ervas marinhas e algas existentes na Ria Formosa, em incubações de uma só espécie ou incubações mistas.

As ervas marinhas foram entre duas a catorze vezes mais eficientes do que as algas a captar os pulsos de nutrientes.

Nas incubações mistas, foram observadas pela primeira vez interações positivas ou negativas entre as espécies. O resultado da competição pelos nutrientes, quando em conjunto, depende não só das suas capacidades individuais, mas também da sua capacidade para influenciar o desempenho de outras espécies.

Este estudo resultou de uma colaboração entre os grupos ALGAE (Marine Plant Ecology Research Group) e BEE (Biogeographical Ecology and Evolution), do CCMAR; em conjunto com o MARE – Marine and Environmental Sciences – na Universidade de Coimbra.

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